
Dom Luís Inácio
Eduardo Alexandre
"Eu não posso falar em eleições. Mas no ano que vem haverá eleições. E eu vou trabalhar para fazer a minha sucessora...
Lula, 14/07/09, em palanque, Palmeira dos Índios, Alagoas
Consciência do crime eleitoral que está cometendo, Lula tem. Sabe que fazer campanha política fora de hora é crime previsto e que já não faltaram alertas. Mas ele paira acima do bem e do mal, não teme a lei. Já escapou de outras situações piores e até mais vexatórias, como os crimes do episódio conhecido como escândalo do mensalão, por que não subverter mais ainda, mostrando o poder imperial que possui?
Dom Luís Inácio Alcântara da Silva Xavier, o coroado sebastiânico. Pra quem pode, pra qualquer um, não!
Quando aposentado em seu pijama e sandália de dedo, na cadeira da varanda de sua casa de praia, vai poder dizer aos seus netinhos:
- Comprei todos aqueles canalhas! Eu, que era o pobre operário, inútil para o trabalho e aposentado por isso, por ter perdido o mindinho esquerdo em acidente de trabalho, dobrei todos os milionários e poderosos coronéis Brasil afora, do Oiapoque ao Chuí. Todos curvaram-se diante de minhas vontades, coronéis e legisladores, Câmara e Senado, governadores, prefeitos de grandes cidades, até homens da lei, juízes de altas instâncias, banqueiros e industriais. Diante de mim, todos os poderes se curvaram, me fiz rei, imperador, cidadão acima de todos os cidadãos! Diante de mim, valor não tinha nem a Constituição nem a República, fiz da democracia do voto popular o meu ninho, fui mestre, fui gênio, mostrei ao mundo como se faz. Quão é capaz o poder do poder e do dinheiro.
Dom Luís Inácio Alcântara da Silva Xavier Arantes Braga, rei de fato, sem bola nem calhambeque, Sebastião redivivo, o menino de Dirceu.
PÉRIPLO ESTÉTICO DE UM TEXUGO PROVINJOYCIANO
Plínio Sanderson
sábado 27/06

1. arte no calçadão de copacabana (av. atlântica) em frente ao hotel. os artistas expõem seus trabalhos informalmente e você pode interagir/dialogar ... vários estilos, um defronte aos outros, num corredor plástico, todos reunidos sobre as pedras portuguesas - ícone de copa. dois contatos, um (paulo cesar) pintava cenas soturnas de jazz; o outro (marcos), pintava os morros de forma interessante, inter/ferindo pontiagudo e diretamente na tela. ôps! um deixei escapar, enquanto fui no bob’s, ele esvaiu-se nas mãos de um casal de gringos. encontrei-os no elevador e quase desapropriava-
domingo, 28/06

curtir os 400 metros até o forte (e museu) de copacabana ; fotografar-se com o poeta de Itabuna. caminhada arpoador-ipanema feirinha (sem) hippie. mais trabalhos expostos, e, encontro um trabalho de jesus, patrício, é assim que ele grifa. feito com espátula, em relevo proeminente de tinta óleo, esculpindo em talhes abstratos, casebres envolto em vultos. tá aqui, para ser admirado ad infinitum. à noite, incorporei também à coleção um abstrato, em alto relevo, de cidinha alcântara, artista citada em várias antologias. dois quadros anexados ao acervo da minha “infinita estética particular”.
terça 30/06

explorar os sentidos rumo ao centro, seus museus e os centros próprios da cultura... praça xv, centro cultural do banco do brasil, que viagem, exposição: “virada russa”, simplesmente a arte russa no período anterior à revolução bolchevique até os anos 30 com a arte engajada (“pelas massas”) via politiburgo stalinista. pasmem! a coleção do museu estatal russo de são petesburgo. somente arte de vanguarda na veia, do jeitim que gosto e me deleito. neoprimitivsimo (e existe?), futurismo, cubismo, raionismo, fauvismo, construtivismo, e claro, o abstracionismo (pretencioso) de vassili kandínski, doido de avoar pedras e tintas à toa em tântalos. para quem não sabe, kandínski foi responsável pelas artes plásticas na rússia pós-revolução. em pouco mais de dois anos construiu mais de 350 museus em toda rússia, quase um, a cada dois dias. com stálin, e o premente “dispositivo de formação política ideológica”, foi substituído e acusado de fazer arte burguesa, bateu em retirada para europa, tristonho da silva, com se fosse também xavier. kazimir maliévitch (suprematismo)
centro cultural dos correios, ciclo/reciclo, de márcia carlos de andrade, arte construída com restos de vidros, forjados pela temperatura, num resultado muito instigante, vidros distorcidos, formando aranhas e sei-lá-o-quê?
paço imperial, a retrospectiva de bonfatti, um expressionismo do horror, dezenas de auto-retratos, tipo temporada no inferno e auto-iluminuras nas profundezas endiabradas. (obs)cenas de deformações e doenças. barra pesada nas trevas existenciais.

museu histórico nacional, no projeto ano da frança no brasil, a) louvre houdon, uma mostra de esculturas do houdon, de personas como motesquieu, voltaire, buffon, etc; b) cartazes de guerra, de artistas gráficos denunciando a guerra civil na espanha, fantástico; c) sedução do oriente, objetos orientais do japão, china, tailândia, índia, indonésia; d) mostra fotográfica, “andalúcia (1935)” de pierre verger; e) e o cervo histórico do museu, trono real, carruagens, fuleragens imperiais, etc...
funarte, “da rua: que pintura é essa?”, mostra de trabalhos do derlon almeida (pe) e do marinho (rj), imagens da rua em espaços institucionais. pseudo grafites meio basquiat. Estava exposto o projeto conexões artes visuais onde são citados os potiguares: civone, guaracy, marcelo Gandhi, sayonara, etc...
museu de arte moderna (final do aterro do flamengol): a) exposição permanente da coleção de gilberto chatô, obras que marcam o início do século até anos 90. achei a mostra do museu de belas artes mais significativa
quinta, 02/07

singrar galerias da zona sul. o destino era as galerias da teixeira de mello em Ipanema, mas, primeiro, uma passada no shopping cassino no final de copa. loucura! uma dezena de excelentes galerias. a) maurício pontual, quadros mais lineares, clássicos; b) rembrant, quadros de vários estilos, inclusive com portinari; c) galeria g, obras construtivistas interessantes; d) rondi, com trabalhos muito massa com quilos de tintas derramados em camadas sobrepostas, do artista wladimir jung; e)m movimento arte contemporânea, obras interessantes de artistas mineiros com materiais vários, contato interessante com gilberto cabral, artista e dono da galeria; f) galeria patrícia costa, encontro um puro antônio parreira; g) espaço eliana benchimol, só artistas neoconcretistas e arte cinética, genial! os trabalhos iam de R$ 30.000 até 130.000. outro contato legal, a senhora que nos atendeu era parente de floriano cavalcanti.
sexta, 03/07

dia chumbo, seguir ao centro de metrô para continuar perambulação por museus. do largo da carioca, rumando à praça tiradentes em busca da mostra durex, não encontramos e fomos até o centro hélio oiticica, para mim, o artista brasileiro (arte longa, vida breve) mais antenado na modernidade; mostra “penetráveis”, onde o espectador deixa de ser apenas mero observador e passa a ser (p)arte da obra, todos sentidos corpóreos integrados num orgone só. quase gozo pelos poros, juro! Eu, tiete total de oiticica.

museu de belas artes nacional, os acadêmicos Victor meireles, pedro américo, réplicas de esculturas helênicas, expô de fotografias “moedas da areia” de cesar barreto, o limiar pré –modernista: pancetti; guinard; Tarsila; lasar; di Cavalcanti; Portinari; Brecheret; até os contemporâneos: Scliar; iberê Camargo; manabu mabe; Volpi; siron; ione Saldanha; amilcar castro; leonilson; palatinik (na apresentação, natal 1928); lygia Clark; ivan Serpa; fiquei doideca, abestado e boquiaberto, donde adentrou vários shops no portuga do “casual retrô” e fazendo parede, a párea: bacalhau à espanhola e risoto à José sapateiro. manjou os manjares?
À noite, no sesc de copa, duas quadras do hotel, a peça “diário de um louco” baseado na obra de nicolai Gogol, com interpretação de Cláudio thovar. cenário incrível e monólogo arretado.
esses artistas geniais e geniosos, impregnados pelos contextos em que estão inseridos (ou não!) são verdadeiras antenas da raça, e através da arte destroem a brutalidade da matéria, impondo-lhe a fantasia e a pureza transitória da forma. abrindo um caminho de interseção entre o singular e o universal, o particular e o geral. através da nuance de uma obra artística temos acessos aos significados de realidades oníricas. às vezes, distantes, outras, bem aqui, coladas ao umbigo.
Enquanto isso, nossa pinacoteca continua fechada e acredito que perante a euforia utópica da copa de 2014, assim permanecerá, para abrigar alguma repartição da bur(r)ocracia administrativa que atrapalha o trabalho estatal. Triste sina, a que será que se destina? memórias histórico-plásticas, às cucuias!


"Num cenário de recessão e queda na arrecadação, os gastos da Presidência com cartão corporativo duplicaram no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2008 - de R$ 2 milhões para R$ 4 milhões. A Presidência também aumentou os gastos sigilosos - não detalhados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) com a indicação do responsável pela despesa -, na contramão do discurso de transparência nas contas públicas. Do total de saques com cartão registrados no Siafi no primeiro semestre deste ano, 99% não têm identificação do responsável."
Regina Alvarez, na edição desta quarta em O Globo.
Muito
Diário de Natal
Edição de quarta-feira, 8 de julho de 2009
Em memória de um doce vândalo
Sérgio Vilar // sergiovilar.rn@diariosassociados.com.br
Um pedaço da história da contracultura natalense se perdeu nas entrelinhas do tempo com a morte do músico Afonso Lima. Fon, como era conhecido, falecido em São Paulo, vítima de um câncer, guardava memórias libertárias naqueles cabelos compridos; vontade de Liverpool, embora o jeito compenetrado trouxesse à lembrança um Bob Dylan de respostas aos ventos. Fon nasceu mesmo foi na década de 60. Apareceu para os festivais na Fortaleza dos Reis Magos ou no Juvenal Lamartine; para a contracultura a favor de uma democracia distante das marchas e encontros musicais na Praia dos Artistas. Época de Vândalos - o conjunto de jovens roqueiros inebriados pela doce rebeldia de James Dean.
![]() Fon toca seu baixo em show dos anos nos anos 90: personagem importante da cena alternativa Foto: Arquivo/DN/D.A Press |
Fon sumiu há um ano da cena musical. Ficou em estado lisérgico (músico que é músico não vegeta) devido a um tumor no cérebro. Na última segunda-feira ressucitou seu contrabaixo em outros ares. Valeu o esforço, como afirma o amigo de colégio e de rock Nelson Freire: "Há pouco mais de um ano formou-se essa grande corrente torcendo pela sua saúde. A sua partida não invalidou o esforço feito. Até porque sabemos de antemão que temos o bilhete da volta já comprado. Só não sabemos o dia da viagem. É a prova de que a amizade é artigo que não se compra, se conquista. Como você fez, meu primo Fon".
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Adeus por décadas antecipado
Recebi a notícia da morte de Fon por e-mail, através de seu irmão Lola, músico natalense radicado na Itália há mais de duas décadas, período em que ele, Fon, também esteve ausente de Natal.
Nos conhecemos no Marista, onde estudou sua mulher Kathy. Enquanto em Natal, logo após o casamento, Fon residiu na Praia dos Artistas, no final do quarteirão, diante da praia, onde fazíamos a Galeria do Povo.
Foi um amigo de muitos e muitos frequentavam a sua casa em busca de música e amizade. Tinha um carisma todo especial, contagiante. Foi um dos líderes de sua geração, cheia de grandes figuras.
Depois que ele e Lola partiram, foi como se a música da cidade tivesse ido embora com eles. Ficou um vazio que nunca foi preenchido. O que era um movimento tornou-se um nada, calando definitivamente uma geração que migrou para a profissionalidade em outras áreas de melhores sucessos financeiros, ensejando o fim de uma era que poderia ter sido mas não foi.
Parte Fon, como estão partindo vários de minha geração de Marista e de uma Natal romântica, contaminada pelas grandes transformações que chegaram ao mundo nos anos 60. Uma geração que sonhava e lutava contra uma opressão que fazia doer o nosso cotidiano.
Essa ida definitiva de Fon para todo o sempre é para mim como algo que me parecera antecipado, a cidade sepultando prematuramente os seus artistas, compelidos a busca de outros caminhos que lhes permitissem melhor sobrevivência.
Sobrevivência que deixou ao vazio toda uma produção artística de excepcional qualidade, para dar lugar a uma frustração nunca reclamada pelos que ficaram.
Realidade triste essa da nossa geração que sonhou, mas infelizmente não pode realizar o que tinha em potencial.
Fica um vazio que já não fora preenchido, uma saudade cortante, um adeus por décadas antecipado.
Dunga

"Corre perigo a democracia com um partido que quer a manutenção do poder a qualquer custo".
Itamar Franco, ex-presidente da República
"O Presidente Lula quer esfacelar o Senado para viabilizar o seu projeto eleitoral de 2010, a qualquer preço. E esse descaso com a democracia poderá causar danos irreversíveis à sociedade a longo tempo. O Presidente Lula parece apostar na desmoralização dos poderes da República. Ele insiste em mostrar que as instituições, os valores morais, a modernização do País, a superação das dificuldades, tudo isso não vale nada quando está em jogo a sucessão presidencial. Acaba-se o Congresso. Afunda-se o Congresso, desde que salve o projeto e o propósito dele para 2010."
Senadora Marisa Serrano (PSDB-MS)
A notícia que traz o Diário de Natal de hoje é por demais alvissareira.
Jeanne incorporou a luta pela preservação do nosso patrimônio arquitetônico
(onde está inserido o histórico e o cultural),
e, não só entendeu, como abraçou a luta que nos garantirá a preservação tão
sonhada.
A ela, que é do ramo, os nossos parabéns e agradecimentos. Especialmente quando dá ao Beco
e ao trabalho que ali foi desenvolvido com esse intuito, a importância que o
assunto há muito merecia.
Sinto-me inserido nessa estória, e fico orgulhoso disso. Especialmente por ver que o trabalho coletivo
foi a coisa mais importante para esse desfecho feliz.
Dunga
Esse tombamento se caracteriza como um grande avanço e um enorme reconhecimento ao valor real de nossa área central. São tantos os que se engajam nessa luta. Agora, torcendo pelo sucesso da iniciativa da nossa querida Jeanne Nesi, que tão bem conduz os trabalhos relacionados ao corredor cultural de Natal, lembro para que todos os nossos agentes políticos, sociais e econômicos se encantem e trabalhem para o acompanhamento deste processo de tombamento. Insisto em afirmar que o centro histórico de Natal poderá ser um dos grandes atrativos turísticos e culturais de nossa cidade. É preciso acreditar e trabalhar.
Saudações,
Eduardo Viana
Querido Dunga,
Obrigada pela gentileza e pelas palavras tão carinhosas. na verdade eu é que tenho de agradecer o grande esforço envidado por você e por todos que defendem e divulgam nosso querido beco da Lama, pois esse esforço, acredite, é um grande motivador de todas as ações que vem se desenvolvendo no Centro Histórico de Natal. Meu abraço carinhoso e peço que transmita ao grande amigo Eduardo Viana meus sinceros agradecimentos.
Jeanne Nesi
Diário de Natal
Edição de terça-feira, 7 de julho de 2009
Rafael Duarte // rafaelduarte.rn@diariosassociados.com.br
Para ser tombado como Patrimônico Histórico da União, o Centro de Natal precisa apenas de uma assinatura do conselho consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sediado no Rio de Janeiro. De acordo com a superintendente regional do Iphan no RN, Jeanne Nesi, o processo ainda não tem data para ser analisado. No entanto, a expectativa é de que a homologação do tombamento ocorra ainda em 2009, quando Natal completa 410 anos.
![]() De estilo eclético, Palácio Felipe Camarão é um dos prédios incluídos no projeto Foto: Joana lima /DN/D.A Press |
Ao todo, o inventário produzido pelo Iphan com o apoio de uma equipe de técnicos contratados junto à UFRN catalogou 150 imóveis, lista qua abrangem estilos de arquitetura conhecidos, como o colonial, barroco, art nouveau, art déco e o moderno. "Só por isso já valia a pena o pedido de tombamento. Mas observamos ainda que boa parte das fachadas não foram modificadas, além das ruas estreitas, que se mantiveram. O traçado urbano irregular, por exemplo, é uma marca das cidades coloniais portuguesas".
Jeanne citou o prédio restaurado da sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RN), na subida da Avenida Câmara Cascudo, Cidade Alta, como exemplo de imóvel caracterizado pela arquitetura art nouveau. E apontou o Palácio Felipe Camarão, hoje sede da prefeitura, como arquitetura eclética, caracterizada pela presença de mais de um tipo de estilo.
Indagada sobre a importância do tombamento para a comunidade que mora no Centro Histórico, ela afirmou que,além da valorização, os proprietários que moram na região poderão ter facilidade de créditos na hora de restaurar os imóveis. "As pessoas que têm imóvel podem conseguir, através das leis de incentivo à cultura, isenção fiscal para a restauração e reforma dos imóveis. E isso em relação às leis federal (lei Rouanet), estadual (lei Câmara Cascudo) e municipal".
Beco da Lama
A superintendente regional do Iphan cita o Beco da Lama - região tradicionalmente boêmia da Cidade Alta originada na rua Dr. José Ivo, mas que se espalhou pelas vias adjacentes - como um patrimônio histórico de Natal eleito pela comunidade. Jeanne Nesi compara a paixão dos frequentadores pelo Beco à devoção dos católicos ao padre João Maria. "Mesmo sendo padre, a comunidade alçava o padre João Maria à condição de santo. É mais ou menos como acontece com o Beco da Lama. Foi um patrimônio escolhido pela própria comunidade. As pessoas fazem festa, comemoram. O Iphan tinha um presidente que dizia que um patrimônio só existe se for reconhecido pela comunidade. E é o caso do Beco".
Serviço
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é aberto para visitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h. As escolas que quiserem agendar visitas ao Iphan devem marcar antes pelo telefone 3211-6166. A sede do Iphan fica na rua da Conceição, 603, Cidade Alta.
| A LIBÉLULA E O PETRÓLEO
Laélio Ferreira
A primeira "libélula de aço" a voar sobre a Cidade dos Reis Magos e amerissar no "Potengi amado", em 21 de dezembro de 1922, foi o hidroavião "Sampaio Correia", pilotado por Euclides Pinto Martins e Walter Hinton. Faziam um reide Nova York-Rio de Janeiro. Euclides Pinto Martins - hoje nome do Aeroporto de Fortaleza e de uma rua modesta na Cidade dos Reis - não era um ilustre desconhecido em Natal. Nascido em 1892, em Camocim, no Ceará, muito cedo,com três meses, veio, com os parentes, para Natal. O pai era de Mossoró, mexia com salinas. O menino Euclides, batizado em Macau, estudou no vetusto "Atheneu", morou na Rua Chile, na Ribeira. Aos quinze anos, tornou-se embarcadiço e foi morar nos Estados Unidos, onde casou e se fez Engenheiro-mecânico, no "Drexell Institute", na Filadélfia.
De volta ao Brasil, trabalhou para o Governo, em Natal, na Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas e na Estrada de Ferro Great Western. Apaixonado pela aviação, retornou à América, tornou-se aviador e organizou a temerária aventura. Na primeira tentativa, caiu em Guantânamo, em Cuba, destroçando totalmente o aparelho. Uma canhoneira americana (eles já estavam lá!), a "Denver", o recolheu e aos quatro companheiros : Hinton, um mecânico, um cinegrafista da Pathé e um repórter do New York World. Monteiro Lobato, no livro "Escândalo do Petróleo e do Ferro", sustentou que Martins foi, sim, vítima dos poderosos lobbies interessados em atrasar o desenvolvimento brasileiro, qualificando-o como um dos mártires da prospecçãodo petróleo nacional. Morto o aviador pioneiro, nas ruas do Rio, os irreverentes cariocas, fazendo gozação com os ilustres aviadores portugueses, ainda cantavam: - "Sacadura vem de bonde, Pinto Martins pelo ar..." |
Eduardo Alexandre
Fato irreversível para a História de Natal, Natal sede de Copa do Mundo em 2014, a cidade volta a ter olhos do mundo sobre ela. Como na Guerra, Trampolim da Vitória, Parnamirim Field, yes, my friend.
Agora, olhos esportivos, ávidos pelo que é de mais belo no futebol: o gol.
Dos escombros do Machadão vai surgir uma outra Natal.
Dirão: Cidade do já teve! E se os escombros ficarem como os da ponte férrea dos ingleses, nos Igapós? Ou como só lembrança de foto como a sede social de Petrópolis do ABC e SCBEU? Tudo para a realização de 2 ou 3 joguinhos sem importância?
Mas futebol é bola pra frente. Copa? Um fato histórico para o mundo. Sede? Uma vitrine. Sorte de quem tem sorte.
E a sorte está lançada.
Vai haver a implosão, dando lugar a tudo novo e mais moderno, centros administrativos maiores, de governo e prefeitura. Não poderia ser noutra área?
Espero não ponham abaixo o monumento à João Paulo II.
E torcer para que dê tudo certo e isso traga venturas para os que vêm e para todos nós natalenses.
Como o futuro ainda não é agora, acho, o espírito da Natalópolis tem que ser incorporado como prática. Já!
A cidade e o estado estão dominados por notícias de alto índice de violência no meio social. Vamos acabar com isso.
O estado e a cidade vivem décadas de problemas de assistência médico-hospitalar. Vamos ter assistência para o povo.
Vamos ter praia limpa, sem esgotos que cheguem ao mar.
Vamos ter trem de superfície e ônibus com hora certa, sem super lotação, em número suficiente.
Sim, vamos ter melhores salários e maior poder aquisitivo. E vamos ter empregos suficientes.
Vamos nos modernizar a nós mesmos.
Cultura em praça aberta. Receber com arte.
As mil maravilhas, não será.
Mas que ser sede de Copa vai ser muito bom para a cidade, vai, sim.
Que venha 2014!
Os Fantasmas do espelho
Eduardo Alexandre
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Um beco sem a alma não tem lama
Um beco que não assombra não aponta
Um beco que não aponta não faz sombra
Um beco que não assombra não tem vida
Um beco que não tem vida não é beco
Um beco sem a vida não projeta
Um beco sem projeto não se cria
Um beco que não cria não produz
Um beco não produzindo gera o nada
Um beco sendo nada não tem arte
Um beco sem a arte não renasce
Um beco com arte recria a vida
Um beco recriando faz a arte
Um beco fazendo arte se completa
Elder Heronildes

Este “diário da garçoniere” é um embrião do livro “Miramar e Serafim”, cujo tema Oswald de Andrade buscou registrar o espírito modernista num mundo em transformação, cabendo esperanças para uma nova forma de fazer poesia. “Muito de arte entrará nestes temperos, arte e paradoxo, que, fraternalmente se misturam para formar, no ambiente colorido e musical desse retiro, o cardápio perfeito para o banquete da vida”, escreveu Oswald sobre aqueles encontros modernistas.
Resguardando as devidas proporções, o Beco da Lama, no centro da capital potiguar, tem sido a veia nevrálgica de vanguarda cultural do Estado. Para o leitor ter uma idéia da importância da confraria bequiana, quando em São Paulo, os modernistas proclamavam o novo estilo literário vigente com o “Manifesto Antropófago”, o poeta Jorge Fernandes fazia versos modernos como “O banho da Cabloca”, “Tetéu” e outros, no Beco da Lama. Vale ressaltar que o poeta Jorge Fernandes morava na Rua vigário Bartolomeu, rua paralela ao Beco, portanto, um freqüentador assíduo da boêmia natalense. Alguns professores da UFRN costumam dizer que Jorge Fernandes fez poesia modernista na própria "fase heróica" e, na época que Jorge Fernandes lançou seu “Livro de Poemas”, a idéia de modernismo ainda era muito frágil no Brasil, sobretudo, no Rio Grande do Norte. De acordo com os estudiosos da literatura local, Jorge Fernandes foi recomendado por Manoel Bandeira, tardiamente, quando soube da poesia jorgiana, escrevendo em carta à Veríssimo de Melo: “Precisamos urgentemente da poesia do poeta Jorge Fernandes. Urgentemente!” O poeta Jorge Fernandes teve seus textos veiculados nas principais revistas modernistas paulistas, no clamor do modernismo.
Quando Oswald de Andrade se formou em Direito pela Universidade de São Francisco, seu pai, percebendo o talento jornalístico do filho, patrocinou a abertura do periódico “O Pirralho” para que Oswald pudesse escrever e expressar seu pensamento. Na mesma época em Natal, o pai de Câmara Cascudo montou o jornal “A República” logo depois que o Príncipe do Tirol se formou em Direito, pela Universidade de Recife. Cascudo era freqüentador costumeiro do Beco da Lama, era sempre visto entre amigos pelas ruelas do Beco ao cair da tarde, buscando inspiração para mais uma “Acta Diurna” que seria veiculada nas páginas d’A República no dia seguinte.
Segundo a historiografia da literatura local, Luís da Câmara Cascudo é considerado "a ponte" entre Jorge Fernandes e Mário de Andrade. Cascudo é quem introduziu as idéias sobre modernismo no Estado, afirmando na sua obra que Natal havia nascido no século vinte, tendo "dormido literalmente" nos séculos anteriores. Para o escritor e crítico literário, Moacy Cirne – morando no Rio de Janeiro, é um freqüentador esporádico do Beco –, só há dois momentos importantes na Literatura Potiguar: o primeiro com o modernismo de Jorge Fernandes em 1927 e o outro com o advento do “poema processo”, em 1967.
Nas paredes da garçonniere oswaldiana havia quadros de Di Cavalcanti, Tarcila do Amaral, Anita Malfatti, entre outros artistas modernistas. Entre os freqüentadores daquela confraria paulista, havia as musas que freqüentavam as tertúlias literárias e uma delas era a normalista Maria de Lourdes, que os modernistas chamavam de Deisi (ou Miss Ciclone), símbolo da mulher moderna, independente, jovem, bonita e talentosa. Ao longo do tempo, o Beco da Lama tem sido palco para as mais diferentes beldades que vem inspirando poetas, prosadores e recheando os textos de alguns contadores de sonhos. Gardênia Lúcia foi durante muitos carnavais a sereia dos mares metafóricos dos poetas bequianos. Há relatos que um determinado Imperador apimentado do Beco da Lama foi vítima dos encantos de Gardênia, tendo ficado desaparecido por muitas luas.
Nas artes plásticas, a primeira exposição norte-riograndense, assumidamente modernista, foi realizada pelo artista plástico Newton Navarro, em 1948, numa sorveteria no centro da cidade, adjacências do Beco da Lama. Na contemporaneidade becodalamense, quadro de artista plásticos potiguares, do quilate talentoso de Valderedo Nunes, Assis Marinho, Franklin Serrão, Marcelus Bob, Léo Sodré, Gilson Nascimento, Fábio Eduardo, Marcelo Fernandes e outros artistas, retratando, nas paredes do bar de Nazaré, o cotidiano do Grande Ponto, expressando as marcas da vanguarda cultural dos freqüentadores do Beco da Lama.
Enquanto os fragmentos literários, produzidos durante o tempo da garçonniere pelos modernistas, viraram um diário coletivo, anotações poéticas que se transformaram num livro, registrando a inquietação daqueles intelectuais, a Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências – Samba – mantém uma lista de discussão na internet, aonde recortes e colagens antropofágicas vão registrando a ebulição cultural vivida nesse recanto da Cidade Alta. O pensamento dos freqüentadores da “garçonniere becodalamense” está estampado nas páginas de um blog na internet, “Alma do Beco”, cujas idéias são as mais profundas tentativas de revisão crítica e de reconstrução da cultura potiguar, que demandou a pesquisa e a abordagem poética de fontes do passado.
A Alma do Beco é a junção dos recortes literários, produzidos através dos sonetos de Antoniel Campos, das glosas fesceninas de Laélio Ferreira, dos pés-quebrados de Chagas Lourenço, dos poemas de Eduardo Alexandre, Luiz Carlos Guimarães, Márcia Maia (poeta pernambucana)
Neste mundo virtual, também há espaço para as crônicas, ensaios, pesquisas, história do Estado, fotos de quase todos os confrades e confreiras dessa garçonnieri potiguar. Uma das mais interessantes descrições sobre o Beco da Lama é a epígrafe do blog na internet: “Beco da Lama, o maior do mundo, tão grande que parece mais uma rua... Tal qual muçulmano que visite Meca uma vez na vida, todo natalense deve ir ao Beco libertário, Beco pai das ruas do mundo todo”. Com o lançamento do jornal impresso “O Beco”, os confrades ganham uma voz para registrar os fartos banquetes literários das almas virtuais deste mundo bequiano. Um instrumento capaz de abrir o verbo e gritar a essência da vanguarda do Beco da Lama: Poti or not Poti, that’s Potengi!
Tela de Flávio Freiras em homenagem ao holandês FRANZ POST, que viveu o "sonho" do nordeste holandês, a partir da Paisagem do Castelo Ceulen (Forte dos Reis Magos), rio Potengi e dunas de Natal (Nova Amsterdam), pintada em 1638". "Castelo Ceulen, Rio Potengi e Natal"
acrílica sobre tela
80x150 cm
2008
Civone Medeiros no 8 de Maio
ARTEPRATODOMUNDO
~2009~
Intervenção #1
VEIAS ABERTAS DA CIDADE
Sangue injetado / jorrando em paredes e quinas esburacadas, fendas, feridas de canteiros, obras e edifícios que fazem parte do Patrimônio Histórico da Cidade do Natal, com o intuito entre fortuitos e infortúnios de despertar a magnitude de outrora, de nossa cidade, inda bela e sequelada....
A cidade sangra. Veias abertas da violência urbana, social, cultural e ambiental...
Há 10 anos o '8 de Maio – Dia do Artista Plástico’ é celebrado, vivido, discutido e realizado em Natal e, como bem lembrou nosso pioneiro Pedro Pereira, é também, esse dia, o Dia da Cruz Vermelha; temos todos a mesma missão: SALVAR VIDAS!
cIVONE mEDEIROS
Intervenção disseminada entre ruas da Ribeira, Cidade Alta e Passo da Pátria.
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Intervenção #2
CALÇADA DA FAMA
Homenagem neste 8 de Maio a alguns artistas potiguares, que, cada um com sua poética pessoal enriquecem e ilustram a história de nosso povo.
Intervenção localizada entre as ruas João Pessoa e Ulisses Caldas, na Cidade Alta.
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(CAÇA-)PALAVRAS SOBRE TELAS

mixed-media
No Palácio do Governo (Ex-Palácio da Cultura e Ex-Pinacoteca), às 18 horas começa a Mesa Redonda “10 Anos de 8 de Maio”, com Pedro Pereira e João Natal - mediador Flávio Freitas. Após o debate, serão inauguradas duas exposições, uma coletiva de arte moderna e contemporânea e uma de acervo do estado.
Onde da Praça 7 de Setembro, S/N - Centro, Natal/RN.
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PRIVATESFERA, OU A VIDA ÍNTIMA DE CIVONE...
vídeo-instalação
Na Galeria de Artes da Funcarte acontece às 19h, a vernissage da exposição sobre arte contemporânea realizada por um coletivo de artistas, a qual se estende até 20 de maio.
Onde da Av. Câmara Cascudo, 423 - Ribeira, Natal/RN.
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Civone X Civone:
Fazendo Arte?
Trabalho com diversas mídias, suportes e linguagens, temáticas convergentes e díspares. Sou poeta, performer, produtora de arte e cultura. Ser potiguar, é ser herói e ser artista, aqui, é mais ainda. Escrevo, pinto, fotografo, bordo, filmo, danço, atuo, monto, misturo, costuro... Enfim, quietude não é algo constante nem na minha vida nem nas minhas criações. Recentemente, além da Curadoria do XI Salão de Artes do Natal (2007/2008), participei da Mostra de Livros de Artistas, durante o 2º ENE (2007) com o título LIVROCORPO; também realizei a mostra “Arte à Trois” juntamente com os expoentes Allan Talma, potiguar e o francês, Goulven Jagot no Bardallos Comida & Arte e em Nalva Melo Café Salão. Iniciei uma série que se chama ODE À XANANA - flor símbolo de Natal, que foi exposta no último 8 de Maio, na Capitania e até hoje, espalho por aí, a minha Ode à Xanana; participei da Mostra DA PERMEABILIDADE DO BELO, no último 8 de Março, também na Capitania, com a obra VULV'ARS POÉTICA; finalizei dois curtas, o experimental “Privatesfera, ou a vida pública da mulher” e o documentário “14 de Março, todo dia – dia da poesia” captado em 2006, lançado este ano. Em andamento temos a segunda leva do projeto “Arte da Esquina do Brasil” que sucedeu no ano 2000 e programamos nova itinerância entre Áustria-Holanda-França e Brasil - provavelmente para 2010; estamos dando continuidade ao projeto “Ecos do Bairro” do ICAP – Instituto Cultural e Audiovisual Potiguar, do qual faço parte – de fomento e difusão da cultura em nossa cidade. Para outubro próximo, dentro da Retrospectiva dos 15 Anos do Café Salão, da Nalva Melo, vamos relançar o livro ESCRITURAS SANGRADAS, 10 anos depois... Musicada... Na música, este ano saem 2 parcerias em CD, cada um com um poema meu musicado, um no CD do Helder Gomes com o 'poemúsica' Arbítrio e o outro no CD do Esso Alencar, premiado pelo Projeto Pixinguinha com o 'poemúsica' Cantilena ao Sereno. E breve sai a segunda Coleção "comSUMAcivone" da grife potiguar MODE'RN com poemas e imagens em diversos suportes, tais como camisetas, pôsteres, postais, bolsas e que tais... Ufa! É só aguardar!
Viver de arte?
Ainda como artista potiguar, de veia alternativa, independente e não-submissa estou longe de viver de-e-num mercado inexistente, principalmente para quem não faz concessões como eu. Em geral, a minha produção artística não se enquadra como produto, não está à venda. Quem compra poesia e livros de poema? Quem compra uma Performance? Quem compra uma Instalação? Quem compra Documentários e Vídeo-Arte? Estes são os meios/mídias principais de minha ação como artista e quando houver estas respostas – se houver –, ainda estarei produzindo e vazando pelos poros e em todo o canto a minha arte, a minha humana expressão. Eu não estou a venda, mas, do que produzimos... Quem quer comprar? Não é porque essa resposta não vem que vou deixar de ser o que sou: uma múltipla artista. Felizmente Natal não é de todo uma ilha – que muito amo, inclusive – e existem diversos mercados e meios onde minha arte tem espaço e resposta, demanda e respeito e é assim, que viver nessa cidade, é exclusivamente para mim, por laços afetivos e pura inspiração.






Hugo Macedo©